sábado, 10 de maio de 2014

Viva Las Vegas - Entrevista com Julie Van Wilpe

Vocês se lembram da participante brasileira que ganhou o concurso mundial de pin-ups "Viva Las Vegas"? Então, fizemos uma entrevista super bacana com a Julie Van Wilpe contando sobre o evento, moda e um pouco da sua trajetória, confira:


VR- Conte um pouco sobre sua trajetória no universo vintage, como você se apaixonou pelo estilo, quais são suas influências e inspirações?

JVW- Minha trajetória pelo universo vintage começou desde cedo, sempre admirando os objetos e vestimenta da minha bisavó (de onde eu tirei meu “Nome de guerra” - Van Wilpe) o sobrenome veio da Holanda junto com ela, e é a minha primeira musa vintage desde que me conheço por gente. Outro fato que me influenciou desde criança era o bom gosto musical da família, cresci ouvindo rock’n’roll, blues, jazz, country e muitos outros ritmos da época.
Lá pelo início da adolescência, descobri que havia um número considerável de pessoas que já eram adeptas a esse estilo de vida e modo de se vestir, fiquei bastante animada com isso pois não fazia ideia que era um estilo propriamente dito, apesar de já ouvir as músicas e colecionar fotografias da época. Então aos 15 anos comecei a produzir ensaios com a temática pin-up e me apaixonei pelo estilo! Com o passar dos anos o interesse por esse universo só aumentou, comecei a frequentar festivais, fazer amizade com gente que pensava da mesma forma e curtia as mesmas coisas que eu, participei de bandas, fiz alguns trabalhos como pin-up (coisa que é difícil aqui no Brasil), participei de algumas materiais de jornais, revistas e televisão e a qualidade dos trabalhos foi só aumentando, até chegar a essa fase de hoje, do concurso, que considero como o reconhecimento de todo o meu esforço.
Minhas influências e inspirações são e foram muitas durante essa trajetória, mas sempre
focando na família, como já disse anteriormente minha bisavó foi minha primeira e maior
inspiração, minhas duas avós sempre contribuíram e muito com tudo isso! Minha avó por parte de mãe, por ser mais velha, me influenciou e me garantiu peças dos anos 40 e 50, era ela que providenciava todos os meus primeiros vestidinhos de “role” e os tão comentados swimsuits, infelizmente ela já se foi, mas o acervo de peças e acessórios vintage originais que deixou comigo, guardarei para sempre com muito carinho, já minha avó por parte de pai era mais nova e me influenciou na parte anos 60 e 70 do vintage (que também gosto muito e coleciono coisas muito bacanas vindas dela!). Minha maior influência claramente é o country e western, mas vez um amigo meu muito disse que a influência MÓR na minha vida era o KITSCH, porque tudo que eu vestia ou fazia, não importa a década, beirava para esse lado mais cafona, exagerado e nostálgico.
Principalmente nessa questão do country, sempre com muitos brilhos, franjas, rhinestones,
dourado e muitas cores! – Acho que é a minha maior influência mesmo, para mim, quanto mais os outros acharem “cafona” MELHOR!
VR- Qual foi a sensação de participar de um concurso internacional de pin-ups? 

JVW-Participar do evento foi emocionante! Dava um misto de nervoso (pois subimos no palco pouco
antes do show da Imelda May, então tinha muita gente olhando!) e ao mesmo tempo alegria...
pois o evento é de encher os olhos... os carros, as produções das meninas e dos rapazes, as
bandas, era tudo perfeito!
Confesso que deu um frio na barriga muito grande na hora de subir no palco, pois além do
publico ser bem grande, teríamos que responder uma pergunta em inglês com base em um
fato engraçado enviado anteriormente para a organização. Mas acho que no final fui bem,
procurei ser eu mesma e driblei um pouco o nervosismo na hora da pergunta NOVAMENTE
sendo eu mesma, ou seja, palhaça... 
Respondi com uma brincadeirinha, várias pessoas deram risada e no final funcionou! Fiquei bem feliz com o prêmio!

VR-O que mais chamou sua atenção na cena vintage de fora, já que ao vivo com certeza é bem diferente das fotos que costumamos ver no instagram e tumblr?

JVW- Com certeza foram as produções e capricho com o look do pessoal de fora, BEM diferente daqui do Brasil. Tanto as moças quanto os rapazes estavam todos os dias IMPECÁVEIS. Lógico que lá fora é muito mais fácil ter acesso às peças de vestuário, informação, livros sobre a época, materiais para o vintage hairstyle, prova disso eram os “vendors” que estavam lá todos os dias, oferecendo desde peças vintages originais, acessórios e calçados, até reproduções retrô e marcas famosas como Pinupclothing. Os “gringos” realmente levam o visual muito a sério, principalmente em um evento como esse, onde a regra é “você nunca vai estar exagerando no look”, como é um acontecimento, vimos que as garotas já começam a arrumar as malas e fazer um verdadeiro PLANEJAMENTO dos looks meses antes da festa! – o que faz todo o sentido, porque é tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo, que perder tempo escolhendo o que vai usar não vale a pena!
Na verdade, visualmente, achei bem parecido com o que vemos pelo instagram e tumblr, até
melhor! Mas uma coisa que a gente não imagina do outro lado do monitor é a simpatia e
humildade do pessoal de fora, todos estão lá para curtir, é uma grande festa! Então não há
espaço para negatividade em um evento como esse. Lógico que a minha visão foi de uma
pessoa de fora, apenas durante o evento, não cheguei a conviver efetivamente com a cena
vintage estrangeira, mas acredito que as coisas funcionem da mesma forma.

VR-Como mulher ama saber dessas coisas (Risos), quem era a garota mais bonita e bem vestida de lá?

JVW-Várias! Era difícil alguém não estar estupendo! Porque o povo capricha e muito, viu? O que me surpreendeu bastante eram as garotas anônimas que ás vezes tinham looks até mais bacanas e incrementados do que as nossas velhas conhecidas Pin-Ups.... O evento é realmente como um desfile de moda!
Vou destacar meu top 5 (não necessariamente nessa ordem)

-Lisa Love
A Humildade em pessoa! A que mais gostei de conhecer no evento, sem dúvida!
Me apresentou seu pai e sua mãe que a acompanham na maioria dos eventos (ounnn <3), e
pasmei ao descobrir que aquela mulher tem um filho quase da minha idade! Corpão e
conservada no Revitalift meu amor!
Seus looks sempre com MUITO brilho tem uma pitada étnica, apesar de ser texana, ela é
descendente de mexicanos e indígenas, e transmite nos looks o orgulho por suas raízes... Os
cabelos também são sempre de matar! Ela foge dos penteados “comuns” como topetinhos ou
victory rolls e investe na linha “latina poderosa”!
-Angelique Noir
Essa mulher é de matar! Parece ser feita de cera. (risos) Com certeza merecia o titulo de negra mais bonita do mundo! Antigamente ela trabalhava como modelo normal, de passarela e tudo mais (o que explica a altura toda do meu lado né) rsrs Seus looks estavam sempre impecáveis e glamurosos assim como sua pele e cabelos, ela parecida uma verdadeira Barbie negra e dava vontade de levar para casa <3 Ela sabe também usar as cores a seu favor, e escolheu um biquíni vintage amarelo maravilhoso para desfilar no ultimo dia da pool party, o que a fez faturar o primeiro lugar no Swimsuit Contest. 
-Miss Ruby
Apesar dela não ser uma pinup tão famosa assim, ela está entre a “Rockabilly Royalty”. Amiga pessoal de Doris Mayday e Micheline Pitt, ela se destaca pelos penteados! Pois é uma das melhores hairdressers que acompanho. Seus looks também são bem interessantes e criativos, e pelo que eu vi no instagram, ela levou seus diversos apliques platinados para o evento, hora estava com o cabelo curtinho, hora ostentava um ponytail gigantesco. Cada dia ela estava com

um “tema” o que às vezes a fazia parecer “fantasiada” no evento... Um dia estava de “diva das galáxias” usando um vestido prateado e no outro um look cowgirl da cabeça aos pés! (adivinhem só qual foi meu favorito??) rs
-Mahara Alberttoni 
Não querendo puxar a sardinha pro lado do Brasil, mas já puxando... Minha amiga de anos e cabeleleira Mahara alberttoni, deu o que falar no viva e chamou MUITO a atenção! Assim como eu, todos os vestidos que ela tem, são de criação e muitas vezes de feitio próprio! Sempre com tecidos e decotes muito criativos, ela foi parada várias vezes no evento por gringos perguntando aonde ela tinha conseguido o vestido ou até mesmo se eram vintage originais! Sem contar nas saias SEMPRE rodadas e com saiote por baixo para dar ainda mais volume, lencinho combinando com o mesmo tecido do vestido, o que dava um visual “Housewife” que combina muito com ela <3


-Larissa Montagner 
Não podia esquecer ela, não é mesmo? Larissa, estilista da grife MYBOYDEAN e companheira de todas as aventuras no VLV, além de ter feito os nossos looks do evento, ainda fez os dois vestidos mais maravilhosos e caprichados que eu vi na vida para usarmos no concurso, seu vestido em renda dégradé tingido por ela mesma, e o meu tão sonhado vestido western de gala desenhado por mim s2 Seus looks sempre são super “Bombsheel” abusando dos decotes poderosos e saias lápis, que valorizam ainda mais o corpão de meu deus! Novamente com os cabelos platinados ela arrasou nos penteados de diva com a ajuda do marido (nosso barber e hairdresser favorito Anderson Nápoles) – Os looks de dia eram mais Tiki e Tropicais e os de noite sempre com muito glamour e brilho no tecido! SAMBOU!
VR-Eu precisava perguntar, você conheceu a Doris Mayday? Ela é tão linda quanto parece ser nas fotos? 

JVW- Olha, vou ser sincera hein? (risos) O que algumas famosas tinham de humildes e EXTREMAMENTE simpáticas, Doris não tinha.... rsrs. Ela é sem dúvida é uma das mais populares do meio, e estava sempre cercada de seus amigos, também famosos, como se fosse uma panelinha mesmo... Às vezes pareciam até que eram seguranças! Então foi meio complicado tirar foto com ela. Mas aqui está a prova do crime: rsrs
Quanto ao visual, estava sempre linda é claro (embora eu prefira nas fotos). Mas o que me decepcionou mesmo, foi ela não caprichar tanto assim nos looks e penteados, já que é tão acostumada com tudo isso, que devia estar meio de saco cheio... Ela estava bonita todos os dias, mas nenhum look me deixou babando, entende?

VR-Como foi a recepção dos “gringos”? 

JVW- Ao contrário da Doris (risos) veteranas dela como Lisa Love nos trataram como se fossemos amigas e eram bastante acessíveis, até mesmo as cantoras como Ruby Ann (falando conosco em português!Sim! Para quem não sabe ela é Portuguesa e uma graça de menina!) e Kim Lenz (que estava prestigiando os demais shows, todos os dias, super tranquila usando calça jeans e all star e sempre com um sorriso no rosto!). O pessoal lá apesar de um pouco intimidador devido ao visual e do fato de falar outra língua, é muito simpático e aberto ao público brasileiro (estávamos em um grupo de 25 pessoas mais ou menos) o que chamava muita atenção na hora que íamos bater uma foto todos juntos... Mas bastava você saber arranhar um pouquinho no inglês e retribuir a simpatia, que saia de lá com amigos para a vida toda! Achei o comportamento dos “gringos” bem diferente dos brasileiros nesse quesito... Fizemos amigas famosas, americanas, londrinas, australianas, organizadoras de eventos e principalmente eu e meu namorado, pelo fato de nos vestirmos com mais influências western, fazíamos amizade rapidamente com o pessoal que estava vestido da mesma maneira, que não eram tantos, por isso chamávamos atenção... O que mais me impressionou, foi que nenhuma celebridade do meio se negava a tirar fotos com o publico, inclusive, após seus shows faziam uma espécie de “Meet and Greet” logo ao lado do salão principal de shows (Ballroom) e autografavam e tiravam fotos com TODAS as pessoas da fila... (igualzinho á Avril Lavigne) rs
VR-Sobre a premiação, você esperava ganhar o prêmio? Qual foi a sua reação quando descobriu que ganhou? Detalhes, muitos detalhes. 

JVW- Na verdade não esperava ganhar o titulo de miss pin-up, até porque tinham gringas MUITO bonitas concorrendo e já conhecidas no meio... Então, eu e minha companheira de concurso (Larissa Lady Cat) estávamos de olho nos prêmios secundários que eram: melhor cabelo, melhor vestido e melhor maquiagem – como não manjamos muito de make (rsrs) desenvolvemos a seguinte “tática”: Ela como possui uma marca de roupas, faria os dois vestidos, pois eram duas chances a mais de ganhar e eu como entendo melhor dos penteados, faria o cabelo das duas duplicando minhas chances também. Quando os jurados anunciaram que eu havia ganhado o segundo lugar geral, mal podia acreditar! Foi como um reconhecimento de todos esses anos de paixão e trabalho pela estética, eu produzo ensaios pinup desde os meus 15 anos, e na hora, me senti com essa idade mesmo! Heheh  Mesmo que o concurso não seja um miss universo oficial e televisionado, para mim foi como tal, dentro da minha estética e dentro do que eu gosto, é o maior concurso da categoria e tinha representantes de mais de 4 países, ou seja, foi como trazer para o Brasil um troféu de olimpíadas (risos) - Não é todo dia que uma brasileira fica em segundo lugar em um concurso lá fora né? Outra coisa que me deixou muito feliz foi o apoio dos brasileiros tanto pela internet, quando os que estavam lá pessoalmente, conseguia os ver do palco e estavam torcendo e gritando muito por mim o que foi o mais bacana <3

VR-Você já era famosa, mas agora é diva, então qual o conselho que você da pra quem deseja se tornar uma pin-up girl ou mesmo se entregar ao universo vintage?

JVW-Primeiramente não sou diva nada! (risos) Sou só uma garota que tem paixão pelo vintage e talvez tenha tido sorte de entrar nesse universo há algum tempo, bem nova... Mas na realidade não passo de uma palhaça, que tira sarro de tudo e todos e sonha em poder viver de alguma forma do “universo vintage”.
Para quem deseja se entregar a esse universo, minha dica é: PESQUISA. Confesso que assim como todo mundo que está dentro desse movimento há algum tempo, me chateio em ver pessoas que utilizam dessa nossa paixão como oportunidade, que muitas vezes não se identificam com a cultura como um todo e acabam por banaliza-la.
Para que isso não aconteça, a pesquisa é fundamental. Vai fazer um ensaio? Pesquise... Pesquise referências, pesquise sobre os artistas, saiba o que está fazendo.
E procure ser original nisso!
O universo vintage não se resume só em pinup e rockabilly. Tem uma série de outras “subdivisões” com as quais você pode se identificar mais e as vezes não sabia! Como o western no meu caso, ou um estilo mais tiki, tropical, burlesco, highschool, psycho, biker, kitsch, beatnik, bombshell, folk (enfim! São inúmeras “vertentes”...).
E quando eu digo pesquisa, não estou falando só da visual para looks ou ensaios, mas principalmente da MUSICAL, procure entender como os movimentos começaram e de que forma eles estão relacionados ao estilo, porque na minha opinião os dois sempre devem andar juntos sim! Vejo por ai muita menina que se intitula Pin-Up mas só escuta funk e nunca ouviu um rockabilly na vida (não que biblioteca musical da pessoa deva se restringir somente a sons da época, até porque nem a minha se restringe! Escuto muita coisa atual, muita coisa bizarra e muita coisa que se descobrissem, iriam vir e tirar o troféu aqui da minha sala) kkkkk Mas em resumo, é muito importante ter o conhecimento musical sim! Afinal de contas um evento como o VLV apesar de muitas vezes parecer um desfile de moda, na realidade é um evento de música, e de nada adianta você ir sem saber pelo menos um pouco do que vai tocar e não curtir aquilo!

Thats all folks ;)

Comentários
1 Comentários

Um comentário:

Cristina Barros disse...

Boa Tarde Tati, como vai?
Sua entrevista com a Julie ficou maravilhosa! Desejo uma boa semana!
Super beijo de sua amiga vintage, Cristina do blog Mix da Cris Retrô
http://mixdacristina.blogspot.com.