terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Filme - As pequenas margaridas - Sedmikrasky (1966)


Atenção, essa é a minha visão sobre o filme, ou seja, uma interpretação pessoal. 

"Utilizando-se de avançados efeitos especiais para a época, Vera Chytilová dirigiu esta obra surrealista que conta a história de duas garotas chamadas Marie, que decidem se adequar ao mundo como ele está: sendo depravadas. Portanto, ambas partem para uma série de encontros forjados e travessuras, desconstruindo o mundo ao seu redor."
(Filmow)

Marie I e Marie II estão entediadas e se sentem questionadas sobre sua própria existência, decidindo assim se tornarem depravadas. Afinal, se no mundo inteiro há depravação, por que não elas?

-Isso é uma coisa ruim?

A personagem leva um tapa no rosto de sua  irmã e como resposta um sonoro não, então se transportam para um outro lugar, verde e florido, onde mordem o tão temido fruto do pecado: A Maçã. Aliás, a maçã aparece (Corrigindo, as maçãs) aparecem o filme inteiro como algo simbólico.
Essa depravação nada mais é do que a liberdade, afinal, foi no final dos anos 60 que a grande revolução aconteceu, as mulheres finalmente estavam se libertando dos velhos tabus e esteriótipos machistas, mas nos olhos de alguns, aquilo ainda era visto como depravação.
Tanto que no próprio filme, as meninas não fazem nada demais, apenas se comportam mal.

Além disso é uma crítica política silenciosa, sobre a  República Socialista Tchecoslovaca. Recomendo essa resenha que fala do lado político do filme em questão: http://freakiumemeio.wordpress.com/2009/08/27/nova-vlna-as-pequenas-margaridas/

A primeira "depravação" delas é simplesmente não se portar em um restaurante, comendo sem pudor e sem nenhuma etiqueta, sendo que também são um tanto que indelicadas com o homem que está supostamente bancando o jantar e que tem um caso com uma das Maries. Na minha opinião essa cena quebra dois grandes  paradigmas impostos na vida de uma mulher: A das dietas e  padronização do corpo e a de que toda mulher deve ser submissa e agradar e se portar da maneira que o homem preferir. Esse vira o passatempo predileto de ambas, onde elas seduzem velhos a pagarem grandes banquete a elas.
A cena a seguir também me marcou muito, o próximo cenário é uma casa de shows onde está acontecendo um número de dança dos anos 20. As garotas se embebedam e começam a causar um certo desconforto entre as pessoas, nesse momento acontecem vários closes no rosto da dançarina dos anos 20, frustrada, olhando para as garotas de uma maneira um tanto quanto  incomodada. Sempre quando a dançarina em questão tentava prestar atenção no que as Maries estavam fazendo, seu parceiro de dança puxava-a e a obrigava a continuar seu espetáculo. A mulher está presa na década de 20, mas anseia por aquela "depravação" e liberdade.

No quadro a seguir, o seguinte diálogo:
-Suas pernas são tortas.
-Você sabe que toda a minha vida é baseada nisso.

A estética do filme é maravilhosa, minha cena preferida nesse quesito é a que Marie I está seduzindo um pianista, atrás dela, vários quadros de borboletas, os quadros logo viram proteção para o seu corpo nu. O rosto angelical da atriz e as tomadas de desenhos de flores e borboletas desenhadas são um espetáculo a parte.


Entre crises existenciais e muita bizarrice decorrente pela busca incessante de se tornar alguém depravado, mas além de tudo, inovador e criativo fazem com que as pequenas margaridas se enrolem cada vez mais na própria insanidade. O que é muito divertido, diga-se de passagem.

"A insistência das citações gastronômicas exploradas à exaustão, remetem à apologia do excesso anarquista, pressuposto sublimado magnificamente numa das últimas sequências, onde protagonizam aquele que pode ser considerado, o ataque final moral e bons-costumes”.
O filme tem um desfecho um tanto que interessante, mas esse eu deixo para a interpretação de quem ainda não viu e me retiro sem soltar Spoiler algum.

ESTE FILME É DEDICADO PARA AQUELES
QUE SE INDIGNAM APENAS
POR UMAS SALADAS PISOTEADAS.

Comentários
3 Comentários

3 comentários:

Daise Alves - Menteflutuante Retrô disse...

Quero assistir só pelo nome hehe. Amo tudo que é Daisy =P

Tati disse...

Eu gosto muito desse filme. Assista sim Daise, e a estética anos 60 também é maravilhosa!

Tati disse...

Eu gosto muito desse filme. Assista sim Daise, e a estética anos 60 também é maravilhosa!