quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Meu passado é retrô - Entrevista com Adele Scheidt friesen

Adele Scheidt friesen, nasceu no Paraná na cidade de Tibagi em 1945 e foi professora a vida toda.

Foto de Adele nos anos 60

- Infância
Morava na fazenda. Brincava com bonecas feitas de espiga de milho, abóbora, bonecas de louça e de pano que minha mãe fazia porque não tínhamos condições de comprar, eram caras. Os animais que nasciam na fazenda, gatinhos, cachorros, pegava leite na dispensa escondido e dava para eles. Brincava de professora com uma revista da época chamada “ o bem te vi”, que meus pais assinavam e brincava de escola, tinha 4 irmãos homens, brincava de bola com eles, de carrinho de rolimã, descendo pelo morro até cairmos na lagoa. Bons tempos, meus pais eram rígidos, mais muito sábios nas suas exigências, tudo que sou hoje, devo a educação que recebi deles.
Revista Bem-te-vi

 - Juventude
Jogávamos vôlei, queimada, três reis, brincadeiras de roda com moços e moças aproveitando pra paquerar, não só nas brincadeiras, mas nas músicas que cantávamos, as “indiretas” que os jovens falam hoje em dia (risos). Paquera de LONGE, mandando bilhetinho, se olhando. Até ir conversar com o paquera demorava MUITO. Timidez? Talvez...
Agarramento? Beijos? NUNCA! Pra pegar na mão era só depois de muita paquera, e isso acontecia quando a gente saia em excursão, caravana, em cima de caminhões, ou no escurinho do cinema (risos), ai sim, sentava perto do paquera, no escuro e escondidinho, por baixo do cobertor, ou em cima do carro enquanto ouvíamos música, o moço pegava na mão. Que Vergonha! E era rápido, só uma apertada na mão.
Ouvíamos Elvis Presley, Beatles, Blitz e adorávamos aquela música deles: biquíni de bolinha amarelinha, e quando estávamos tristes porque a paquera não deu certo, ouvíamos “triste filme” de Chico César. A gente ia no cinema, tudo escondidinho, com o paquera, com os amigos, ver mazarope.
  
- Moda
As moças usavam quase só vestido e saias, com pregas, ou godê, com blusas por dentro, com cintos. As mulheres eram elegantes e quando era pra ir nos bailes, lindos vestidos até a canela, saias bem acinturadas, colares de pérolas, brincos volumosos, luvas. Eu usava muito vestido, alguns feitos pela minha mãe. Vermelho, a cor que eu mais gostava, sempre marcando a cintura e com muitos detalhes. Me chamavam de “vestidinho vermelho” por que usava bastante esse e sempre arrumava uma paquera, gostava de vestidos de bolinhas também. Seguia sempre a moda do momento. Mais tarde quando a bandana surgiu, usei e muito.
  
Adele é a moça segurando uma bolsa, do lado dela seu irmão e cunhada em 1980.
- Ídolos
Elvis Presley, Blitz, Aguinaldo Timóteo. Charlie Chaplin, Mazzaroppe, grande otello.

-O amor era diferente nessa época?
 Muito, havia respeito entre as partes. Pra se conquistar uma moça, faziam serenatas em baixo da janela, ao som do violão, ou na área da casa, cantavam belas músicas e deixavam rosas penduradas na porta, além dos bilhetinhos que mandavam. Os moços eram cavalheiros.

- Saudades
As “reuniões” de jovens, brincávamos, fazíamos teatro, como sempre fui de igreja, nos divertíamos com essas coisas, líamos a bíblia juntos e depois saíamos pra nos divertir do nosso jeito mais “comportado”, e sempre fomos felizes assim.
 
- O que mudou hoje em dia que você acha que não deveria ter mudado nunca?
 A “forma” do amor e de se respeitar.   

- O que você acha dessa paixão que a geração de hoje em dia desenvolveu pelo retrô e pela sua década em especial?
 Lindo! Acho maravilhoso saber que ainda existem pessoas que amam essa década e as coisas que tinham nela. Me emociono em ver que aquele tempo ainda está presente. Em casa mesmo, posso conversar com minha filha e suas amigas sobre essa época, vejo o interesse delas, os gostos que se parecem com o dos jovens da minha época, e vejo como hoje em dia ainda existem pessoas como ela que amam o “meu tempo”, e como gostaria que mais pessoas se apaixonassem por essa linda década. 


-Deixe uma mensagem aos leitores do Viva o retrô. Pode ser a mensagem que você quiser, o que o seu coração disser.
Ainda são poucos os que reconhecem o valor desses tempos, mais esses poucos são suficientes para que aquela  época não seja esquecida definitivamente, hoje em dia tudo passa muito rápido, é deixado de lado, mais é graças a pessoas como vocês, que esses lindos anos ainda estão vivos e intactos. Relembrar. É fantástico, principalmente para mim que vivi naquela década.  E eu sei que estes anos ainda serão lembrados por muito tempo, porque vocês, não deixarão que as coisas boas daquela época se apaguem.



 

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