segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Meu passado é retrô - Entrevista com Berenice de Siqueira

E é com enorme felicidade que inauguro a 1ª entrevista da série "Meu passado é retrô"
Muitos dos seguidores da página tem paixão pelo antigo e pelo retrô sem ao menos vivenciar aquela determinada época. É uma paixão que vai crescendo dentro do peito, como diria Renato Russo "De insistir nessa saudade que eu sinto, de tudo que eu ainda não vi." Sei que muitos se identificam e com certeza têm muita curiosidade de conhecer relatos de quem realmente viveu nessa década de ouro e essa foi a idéia inicial da série. Essa é apenas a 1ª entrevista de muitas que virão, espero que curtam.

A primeira entrevistada é a Berenice de Siqueira a Berê. Ela nasceu em 1950 e é professora.
 Berê é a primeira moça após as crianças - Foto dos anos 60.

-Infância
Nasci em uma família de onze filhos. Mãe professora e pai Tabelião. Morei sempre em cidades pequenas, então a minha infância foi muito boa, com total liberdade de ir e vir. Como a família era numerosa, não havia brinquedos, mas tínhamos muita imaginação para improvisar. Divertíamos muito fazendo pic nic ao ar livre, andar de bicicleta e de casinha com minhas bonecas e apetrechos. Minha mãe era bem tranquila, mas meu pai era bastante severo, bastava um olhar para entendermos a sua intenção. De qualquer forma essa educação me abriu portas. Agradeço sempre a maneira como fui educada.

- Juventude
Na juventude a maior distração eram os bailinhos na casa de amigos ou cinema. Ocasionalmente havia os bailes em clubes ou matinês dançantes no domingo à tarde. Nessas ocasiões  a música mais pedida era Ray Coniff. Era nesses bailinhos que conhecíamos os rapazes e a paquera começava aí. Meu primeiro namorado eu conheci na casa de uma amiga, no bailinho de seu aniversário. Amor à primeira vista!

Ray Coniff - Tocava nos bailinhos em que Berê participava.
 - Moda
As roupas passaram por muitas mudanças, da saia plissada e o conjunto de ban-lon (twinset de hoje), depois vieram os tubinhos, a moda hippie (mais ou menos em 1968) mais despojada e mais tarde vieram os tailleurs elegantérrimos, tipo Chanel. Os cabelos eram bem armados (afofados com muito laquê), os olhos bem pintados, com rímel em excesso. O olhar era marcante.

- Ídolos da época
Era e ainda sou fã do Roberto Carlos. Ele esteve presente durante toda a minha adolescência e idade adulta. Paralelamente, gostava dos Beatles, Elvis Presley , Bee Gess e outros.Brasileiros eu gostava muito da Elis Regina, Chico Buarque, Nara Leão, Maria Bethania. No cinema  era fã (ainda sou) da Doris Day, Rock Hudson, Alain Delon, Suzane Pleshete, Cary Grant, Brigitte Bardot, Catherine Deneuve e tantos outros.

- Amor
O amor era diferente nessa época?
Acredito que sim! A expectativa do primeiro beijo, do toque, da paquera, do namoro.. tudo mudou muito. O romantismo se perdeu e o amor se banalizou.

- Saudades
 Das boas músicas, dos festivais de MPB, dos bons filmes, da liberdade, da segurança, dos amigos, das roupas, da família reunida, de meus pais.

- O que mudou hoje em dia que você acha que não deveria ter mudado nunca?
O caráter das pessoas, o bom gosto, a família.

- O que você acha dessa paixão que a geração de hoje em dia desenvolveu pelo retrô e pela sua década em especial?
Exatamente isso que eu escrevi anteriormente: a boa música, o romantismo, os bons filmes,a educação, o respeito,  tudo o que não existe nos dias atuais. Meu filho adora os Beatles e outras músicas de minha época. Ele me diz, sempre, que nasceu em época errada.

-Deixe uma mensagem aos leitores do Viva o retrô. Pode ser a mensagem que você quiser, o que o seu coração disser.
Eu não gostaria de ser considerada  retrô - pois me considero moderna, mas acredito que os jovens gostam do que é retrô porque sentem falta de tudo isso. Então porquê não mudar? Aprendam com o retrô e sejam felizes!
Gostaram da entrevista? Deixem um comentário.
Comentários
8 Comentários

8 comentários:

Berê disse...

Que legal, gostei da publicação!

Viva o retrô disse...

Obrigada Berê, ela não seria possível sem você. Se algúem tem que agradecer, esse algúem sou eu. Um beijo.

regina disse...

Eu também gostei muito, Berê.....somos da mesma época,então quase tudo que vc escreveu bate com tudo que também vivi. Até a profissão dos nossos pais era a mesma, Tabelião.....mas acho que apesar de todo progresso, nós tivemos o privilégio de brincar na nossa infancia, de ir e vir na nossa mocidade,e de termos a real dimensão de Valores, que infelizmente hoje em dia cada vez mais é jogado na poeira. Parabéns, Berê.

Camisa 9 disse...

Verdade, o Dexter sempre fala que nasceu na época errada!
Adorei o post, BerÊ!
Beijos

Vivi Kachan disse...

Amei, tia, ótima entrevista, bjs!

Berê disse...

Obrigada querido, apareça em casa.

Berê disse...

Que bom que gosto, beijos!

Berê disse...

Amiga, escreva também, vou adorar ler suas memórias! Bjs.